Bonito

Abismo Anhumas

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O espetáculo geológico escondido no planalto da Bodoquena

A descida ao Abismo Anhumas é uma das experiências de espeleoturismo e aventura mais vertiginosas da América do Sul. Localizado a cerca de 23 quilômetros do centro urbano de Bonito, Mato Grosso do Sul, este complexo de cavernas não revela sua magnitude a partir da superfície. Tudo começa por uma fenda estreita na rocha calcária, por onde se realiza uma descida vertical controlada de 72 metros — altura equivalente a um prédio de 24 andares — até alcançar um salão gigante moldado pela água ao longo de milhões de anos.

No fundo da caverna, um lago de águas cristalinas com mais de 80 metros de profundidade abriga um verdadeiro florestamento subterrâneo de cones e estalagmites gigantes, alguns superando 19 metros de altura. A visibilidade da água é extraordinária, permitindo observar formações calcárias profundas tanto na flutuação quanto no mergulho autônomo. Mais do que uma atração turística comum, a visita exige preparação física, entendimento das rotas de acesso e apreço pela conservação ambiental severa que rege a região do Vale do Rio Formoso.

Logística terrestre, acesso e condições de rodovia

Chegar a Bonito exige planejamento de rota, especialmente para quem conduz veículos pesados, expedições sobre duas rodas ou plataformas autônomas. A principal via de acesso para quem vem da capital, Campo Grande, é a BR-262 até Miranda, com posterior acesso à MS-339 e MS-178. Outra opção frequente é seguir via Sidrolândia e Nioaque pela BR-060, conectando à MS-382.

A malha asfáltica principal que liga a cidade aos polos turísticos apresenta boa trafegabilidade, mas o trecho final até a sede do Abismo Anhumas envolve estradas vicinais de terra batida. Em períodos de estiagem, a poeira densa reduz a visibilidade; já nos meses mais chuvosos, trechos com acúmulo de lama exigem atenção ao torque do veículo. Motocicletas de média e alta cilindrada do segmento big trail transitam sem sobressaltos, enquanto veículos do tipo campervan ou motorhomes grandes devem trafegar em velocidade reduzida devido às irregularidades e lombadas do trecho não pavimentado. Não é estritamente necessário ter tração 4x4 em dias secos, mas a altura livre em relação ao solo facilita o deslocamento sem impactos no assoalho do veículo.

Pernoite, pontos de apoio e infraestrutura para overland e acampamento

Para a comunidade que viaja sobre rodas ou praticantes de navegação independente, a cidade de Bonito oferece pontos estratégicos de parada com bom suporte logístico. Embora a legislação ambiental local proíba o acampamento selvagem ou o pernoite não autorizado na zona rural próxima às cavernas e nascentes, a infraestrutura urbana e periurbana supre bem essas demandas.

No perímetro urbano, existem opções de campings estruturados com pontos de tomada para recarga de baterias, descarte correto de águas cinzas e reabastecimento de água potável para motorhomes. Para quem viaja de moto ou carro de expedição com barraca de teto, estes espaços oferecem cozinhas comunitárias, sanitários limpos e segurança reforçada. É recomendável utilizar o centro de Bonito como base fixa de apoio para manutenção de equipamentos, compra de insumos e abastecimento de combustível antes de rodar para os atrativos rurais.

Sazonalidade, dinâmica de luz e protocolos de segurança

A experiência dentro do abismo varia significativamente conforme a época do ano devido ao ângulo de incidência dos raios solares no topo da fenda. Entre os meses de dezembro e fevereiro, ocorre o chamado "facho de luz", momento em que o Sol atinge o zênite e atravessa diretamente a abertura da caverna, iluminando o lago subterrâneo e criando um feixe luminoso azulado espetacular. Nos demais meses, a iluminação é difusa, mas mantém a visibilidade subaquática impecável.

O clima na Serra da Bodoquena é dividido em duas estações bem definidas: a época seca (de maio a setembro), marcada por dias límpidos e menor índice pluviométrico, ideal para rodar pelas estradas de terra sem riscos de atolamento; e a época chuvosa (de outubro a abril), quando a vegetação do cerrado atinge o ápice do verde, embora tempestades repentinas possam alterar temporariamente a fluidez dos deslocamentos vicinais.

A segurança da operação no abismo é rigorosa. O sistema de rapel é elétrico e automatizado para descida e subida, reduzindo a exigência de esforço físico extremo e aumentando a margem de proteção do visitante. Contudo, na véspera do passeio, é obrigatório realizar o treinamento prévio na sede urbana do atrativo para checagem de vestuário, briefing de conduta e adaptação aos equipamentos de retenção de queda.

Abismo Anhumas para diferentes perfis de exploração

Para quem viaja de forma autônoma — seja de motorhome, expedição de moto ou mochilão —, a visita ao Abismo Anhumas representa a junção entre a liberdade do trajeto e a precisão da exploração técnica controlada. Esses viajantes encontram no destino o equilíbrio ideal entre a autonomia das estradas do centro-oeste e a necessidade de se conectar a guias credenciados para atividades de Espeleoturismo Seguro. O investimento no ingresso compensa pela singularidade da geologia local, funcionando como o ponto alto de um itinerário overland mais amplo pelo estado.

Por outro lado, viajantes que opting por rotas tradicionais ou pacotes comerciais encontram toda a comodidade necessária no centro de Bonito, com transporte contratado via vans turísticas ou carros alugados. A atividade dentro da caverna é estruturada para receber desde iniciantes no mergulho livre até mergulhadores credenciados nas modalidades de águas abertas ou caverna, que podem explorar os relevos submersos a profundidades que chegam a 18 metros com cilindro de ar comprimido.

Eixos geográficos e integração de rotas na Bodoquena

Integrar o Abismo Anhumas a um roteiro regional exige olhar para o mapa com inteligência geográfica. A caverna está posicionada no eixo oeste do município de Bonito, tornando conveniente a combinação desse passeio com outros atrativos próximos situados na mesma calha viária, como a Gruta do Lago Azul e a Gruta de São Miguel.

Estender a viagem para a cidade vizinha de Bodoquena permite explorar cânions e cachoeiras de águas calcárias com maior fluxo de vazão, enquanto uma esticada até Jardim adiciona o Rio da Prata e a Lagoa Misteriosa à expedição. Para os viajantes do segmento overland que planejam cruzar a fronteira rumo ao Pantanal ou à Bolívia, Bonito serve como um portal de transição perfeita entre o Cerrado da Bodoquena e a maior planície alagada do planeta.

Gastronomia local, cultura regional e o espírito da estrada

A culinária do Mato Grosso do Sul reflete a fusão das tradições pantaneiras, indígenas e da fronteira com o Paraguai. Após um dia intenso de atividade subaquática e esforço físico, a gastronomia local ganha protagonismo. Pratos à base de peixes de água doce, como o pacu assado na grelha, a traíra sem espinha e o ensopado de pintado com mandioca, dominam o cardápio. Para lanches rápidos de estrada, a sopa paraguaia (uma torta salgada à base de milho e queijo) e a chipa são paradas obrigatórias. Ao entardecer, é comum ver moradores e viajantes reunidos em torno do tereré bem gelado, bebida culturalmente enriquecedora para trocar histórias sobre as rotas percorridas.

 

Trilhas e Rotas: o seu próximo horizonte começa onde o asfalto termina e a verdadeira aventura ganha vida.

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